Métodos
O Um Pingo de Ciência desenvolve e utiliza métodos próprios para transformar os princípios de pensamento crítico defendidos em nosso Manifesto pelo pensamento crítico em novos tempos de obscurantismo em ferramentas práticas de análise. Elas nascem da necessidade de enfrentar, de forma sistemática, a desinformação, o dogmatismo, a distorção do conhecimento e a exploração da fragilidade humana, fortalecendo a autonomia intelectual, a liberdade de pensamento e a capacidade de submeter informações, argumentos, autoridades e decisões ao escrutínio crítico.
Os métodos do Um Pingo de Ciência têm objetivos diferentes e são aplicados a objetos distintos, mas compartilham um mesmo compromisso com a rastreabilidade, a transparência, a verificabilidade e as evidências. Eles foram desenvolvidos para tornar mais rigorosa a maneira como produzimos, investigamos, examinamos e comunicamos informações e como analisamos compromissos, propostas e decisões.
Disponibilizados sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), os métodos são ferramentas abertas para uso, adaptação e compartilhamento.
Cinco métodos, diferentes formas de investigar, analisar, comunicar e avaliar, um mesmo compromisso: fortalecer o pensamento crítico e tornar o conhecimento e as decisões mais verificáveis.
Método UPC³BE – Versão 1.0
Comunicação científica baseada em evidências.
O Método UPC³BE estabelece critérios para produzir, revisar e auditar conteúdos de divulgação científica, buscando comunicar resultados de pesquisas de forma acessível sem exagerar sua certeza, eliminar suas limitações ou transformar associações, interpretações e hipóteses em fatos.
Pergunta central:
O que as evidências permitem afirmar e como comunicar isso sem distorcer a ciência?
Método PINGO – Versão 1.0
Análise de compromissos e propostas.
O Método PINGO permite examinar se compromissos, propostas, planos e políticas estão suficientemente definidos para que possam ser compreendidos, executados, acompanhados e cobrados. A análise considera cinco dimensões: Propósitos, Instrumentos, Números, Gestão e Observação.
Pergunta central:
Este compromisso está suficientemente definido para que possamos compreendê-lo, executá-lo, acompanhá-lo e cobrar seus resultados?
Método SONDAR – Versão 1.0
Investigação de normas, políticas, benefícios e decisões baseada em evidências.
O Método SONDAR estrutura investigações a partir de uma questão ou do próprio objeto investigado. O método permite reconstruir sua motivação e propósito, identificar necessidades, beneficiários e afetados, examinar mecanismos, incentivos, riscos e potenciais conflitos, definir as evidências necessárias, orientar a obtenção de informações, verificar os dados e limitar os resultados ao que as evidências permitem afirmar.
O Método SONDAR pode ser aplicado a leis, decretos, regulamentos, políticas públicas, programas, contratos, benefícios fiscais, subsídios, decisões administrativas, propostas legislativas e outras intervenções institucionais.
Pergunta central:
O que essa intervenção pretende fazer, por que existe, quem beneficia, quem é afetado, o que precisa acontecer para que funcione e o que as evidências permitem concluir?
Método NEXO – Versão 1.0
Análise de relações e inferências causais
O Método NEXO orienta a investigação das relações entre fenômenos, ajudando a distinguir associação, correlação, explicação e causalidade.
O método busca evitar conclusões causais precipitadas e examinar se existe evidência suficiente para sustentar uma relação entre diferentes fatores ou acontecimentos.
Pergunta central:
O que exatamente estamos relacionando, que tipo de relação existe, quais evidências a sustentam, que outras explicações existem e até onde podemos inferir causalidade?
Método Uaruá – Versão 1.0
Análise reflexiva e consistência de julgamentos
O Método Uaruá examina a consistência dos critérios utilizados na formação de julgamentos sobre pessoas, grupos, afirmações, acontecimentos e posições. Seu núcleo é o teste de inversão, que verifica se a mesma régua continua sendo utilizada quando os papéis dos envolvidos são trocados.
O método não exige que situações diferentes produzam conclusões iguais, mas que diferenças de tratamento sejam justificadas por diferenças relevantes entre os casos, não apenas pela identidade ou pelo pertencimento dos envolvidos.
Pergunta central:
Estou julgando o caso de acordo com as evidências e critérios relevantes ou minha conclusão está sendo influenciada por quem está sendo julgado?
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas relacionados:


